Declaração da OOAS sobre Dia Mundial do Paludismo 2020

Bobo-Dioulasso, 25 de Abril de 2020 – Hoje, a Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS) junta-se à Roll Back Malaria (RBM) Partnership to End Malaria para celebrar o Dia Mundial do Paludismo 2020 sob o tema “Zero Paludismo Começa Comigo”.

O foco do Dia Mundial do Paludismo anual é manter o paludismo do topo da agenda política, mobilizar recursos adicionais e capacitar cada vez mais as comunidades para se apropriarem da prevenção e dos tratamentos do paludismo. Este ano, esses pontos tornaram-se especialmente urgentes à luz do potencial desvio de recursos e atenção para a pandemia da Covid-19 e a ameaça iminente do financiamento reduzido dos Estados Unidos à Organização Mundial da Saúde (OMS) que terá um impacto nefasto sobre a nossa região.

Em 2018, o último ano inteiro para o qual existem registos disponíveis, havia uma estimativa de 228 milhões de casos de paludismo por todo o mundo. 93% desses casos foram registados em África e quase metade (48%) em África Ocidental. Embora a nossa região da CEDEAO tenha registado uma redução do número de casos de paludismo e óbitos de 6,6% e 36% respectivamente entre 2010 e 2018, a situação permanece crítico uma vez que somos responsáveis por metade do fardo do paludismo mundialmente apesar de representarmos apenas um décimo da população mundial. E a elevada taxa de óbito de mães durante a gravidez e no parto e das crianças menores de 5 anos é agravada pela grande incidência do paludismo porque as mulheres grávidas e as crianças são as afectadas. Assim, a OOAS junta-se aos parceiros internacionais nos esforços para promover um mundo sem paludismo até ao ano 2030.

É importante que sustentemos e melhoremos as realizações recentes registadas no nosso espaço CEDEAO, incluindo melhor gestão dos casos, maior uso de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração e maior absorção da quimioprofilaxia do paludismo sazonal. Cabo Verde está em vias de eliminar o paludismo até 2030 enquanto o Senegal e a Gâmbia estão caminhando para a pré-eliminação com menos de um caso por cada mil habitantes. A OOAS foi pioneira da causa da eliminação do paludismo na nossa região nos últimos anos. O paludismo foi o foco central da nossa 20ª Assembleia dos Ministros da Saúde da CEDEAO no ano passado em Cotonou que resolveu garantir que os 15 Estados membros incluiriam nos seus planos nacionais um Programa multissectorial orçamentado para passar da luta contra para a pré-eliminação do paludismo. A OOAS implementa o projecto paludismo no Sahel do Banco Mundial, o secretariado da iniciativa Eliminação do Paludismo no Sahel – Sahel Malaria Elimination (SaME)

– o campeão regional do programa RBM de erradicação do paludismo em África Ocidental e o executor regional do projecto da União Africana- NEPAD Gestão Integrada do Vector. Agradecemos a todos os nossos parceiros que estão a financiar os programas de eliminação do paludismo na região especialmente o Fundo Mundial, o Banco Mundial, a Fundação Bill e Melinda Gates e muitos outros.

Durante o Dia Mundial do Paludismo deste ano, a OOAS apela a todas as partes interessadas – governos nacionais, parceiros e organizações internacionais, sector privado, organizações da sociedade civil e comunidades – a redobrarem os esforços para ultrapassar os desafios que existem nesta batalha. Estes incluem a capacidade dos recursos humanos especialmente o pessoal de laboratório, a baixa cobertura das intervenções, o acesso limitado aos serviços, o fraco engajamento comunitário, insuficiência de logísticas na cadeia de abastecimento, gestão de medicamentos e o fraco investimento financeiro especialmente o financiamento interno da eliminação do paludismo. Instamos o Presidente dos Estados Unidos a considerar o impacto devastador que a retenção de fundos para a OMS terá na campanha de erradicação do paludismo em África. E, acima de tudo, apelamos a que a acção colectiva nesta luta pela erradicação do paludismo dê prioridade às mulheres grávidas e às crianças menores de 5 anos, que são  os grupos mais vulneráveis afectados pelo paludismo na nossa região. Como declarou o Director Geral da OOAS, Prof. Stanley Okolo “Existe o risco de a atenção crescente à pandemia de COVID-19 poder ameaçar o investimento necessário para o paludismo”. Neste momento, mais do que nunca, precisamos de um maior envolvimento multissectorial, melhores mecanismos de governação, maior mobilização de recursos de fontes nacionais e internacionais, colaboração transfronteiriça e uma vigilância mais sólida das doenças para derrotar este flagelo.

Agradecemos aos Estados membros da CEDEAO e os parceiros pelo seu apoio contínuo à OOAS na realização do seu mandato de integração regional através de programas de melhoria da saúde para as populações da África Ocidental.

Zero Paludismo Começa Comigo!